terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Seminário de Resende em Cinfães*

A criação dos seminários como escola de preparação e formação sacerdotal pelo Concílio de Trento (1545-1563) veio trazer à igreja um instrumento de selecção qualificado para encontrar em cada época e conforme as suas necessidades os elementos mais adequados e em dedicação exclusiva ao serviço de Deus, dispondo também e ao mesmo tempo dos meios actualizados para sensibilizar nas comunidades os filhos que deveriam seguir o caminho do sacerdócio como suporte da hierarquia eclesiástica, mensageiros da palavra e ministros do Sacrifício.
A esta preocupação tridentina veio o Vaticano II (1962-1965) proclamar «a grandíssima importância da formação sacerdotal», definir os seminários menores como essenciais «para cultivar os germes da vocação», afirmar que «o dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã» e que a sua formação específica evoluirá «sob a direcção paternal dos superiores, com a cooperação oportuna dos pais».
Sugere ainda este Concílio que se «promova com zelo e descrição uma geral acção pastoral para fomentar as vocações» utilizando as vias «tradicionais de cooperação» nomeadamente os «vários meios de comunicação social pelos quais se faça conhecer a necessidade, a natureza e a excelência da vocação sacerdotal».
Sabedor profundo desta realidade, possuidor de princípios e estratégias aplicadoras desta doutrina e conhecedor atento dos meios a seguir ou passos a dar, o Sr. Vice-reitor do Seminário de Resende Pe. Paulo Alves, dinamizou no arciprestado de Cinfães, um programa promocional de vocações de modo a manter na actualidade e garantir no futuro a ocupação dos bancos do seminário e a ordenação necessária de sacerdotes para a igreja diocesana.
Com início em Setembro, semana a semana, aí vai ele à frente dos seus alunos e equipa formadora, de terra em terra, de povo em povo, como o «semeador a semear a sua semente» qual Paulo de Tarso, (o Paulo do mundo), na igreja nascente há 2000 anos. Nalgumas paróquias já esteve e outras se seguirão.
Hoje é a vez da freguesia de Cinfães, sede do concelho e centro aglutinador de todo o arciprestado, receber o seminário de Resende e a sua mensagem. Não obstante a chuva intensa e frio persistente, a paróquia de Cinfães recebeu entusiasticamente os jovens alunos e a equipa formadora do seminário.
No sábado, dia 6 o Pe. José Fernando e Pe Marcos Alvim com mais 12 seminaristas estiveram em convívio fraterno e troca de experiências com as equipas de catequese e acólitos num diálogo de aprendizagem mútua que dá vida e coragem aos cristãos na sua cooperação de leigos e entusiasmo à juventude para o lugar que o futuro lhe reserva.
O dia por excelência deste encontro foi a 7 de Dezembro, 2º domingo do advento e véspera da imaculada Conceição.
O Pe Marcos Alvim e o diácono Ponciano mais 12 outros seminaristas, logo pela manhã e após a celebração eucarística fizeram um encontro no Casal com jovens e pais dessa povoação.
Pelas 10 horas, com o salão paroquial cheio e sob a orientação do Sr. Vice-reitor realizou-se um encontro especial de jovens, catequistas e pais onde foi dada uma visão da vida no seminário e feita a apresentação de um pequeno filme. O Sr. Pe Francisco, pároco da freguesia, apoiado também pelo Sr. Cónego Acácio Soares, foi incansável na preparação ambiental deste acto que até o mau tempo teve dificuldade em ofuscar.
A chave da verdade, e o epílogo da mensagem centrou-se à volta do altar no momento da celebração da eucaristia.A concelebração presidida pelo Sr. Vice-reitor teve no mesmo altar o Sr. Pe Francisco, o Sr. Cónego Soares e o Pe Marcos Alvim, à responsabilidade de quem esteve também o muito bem organizado grupo coral.
No momento da palavra o presidente da celebração realçou valor da oração, importância do contacto e os efeitos da mensagem, como suporte e caminho do futuro cristão numa preparação de vida interior para o nascimento de Cristo no seu Natal, deixando ao seminarista Carlos, natural de Fornelos, o espaço e tempo necessários para o seu testemunho vocacional, também ele ouvido atentamente por uma comunidade de fiéis atentos e disponíveis numa igreja repleta onde o peso do silêncio evidenciou a recepção da mensagem e mostrou a disponibilidade do terreno para a semente lançada.
Antes da bênção e mensagem final, a Raquel, com voz timbrada e em nome de toda a paróquia saudou e agradeceu ao seminário com vida e alegria nos seguintes termos:
« - A nossa comunidade sente-se particularmente feliz, por ter vivido este fim de semana mais próxima do nosso seminário. Ficamos enriquecidos com a alegria que nos foi transmitida pelos seminaristas e superiores (…). Que o Natal que se aproxima permita que todos possamos voar bem mais alto no caminho de servir (…).
Vamos pedir a Deus para que também da nossa comunidade haja vocações sacerdotais. Agradecemos, do fundo do coração a vossa visita e aguardamos pela próxima. Até sempre.»
Após a celebração seguiu-se a refeição convívio para repor as energias dispendidas.
Assim culminou esta deslocação do seminário à vila de Cinfães, terreno fértil para o despertar de novas vocações que vão manter a vida no seminário e garantir o sacerdócio na diocese nos próximos 20 anos, sendo que os primeiros 10 já estão assegurados pelos jovens actuais em formação vocacional, fruto já de um caminho descrito e visível nos planos de actividades anuais consistentemente pensado e seguido nos últimos anos pelo seminário de Resende, numa estratégia de « comprometimento do povo de Deus na vocação dos futuros servidores», em resposta positiva ao «autor do chamamento»,num contributo para «a edificação dos homens e sacerdotes de amanhã», semente e fruto vivo de um «processo de crescimento e discernimento vocacional».
Na qualidade de ex-aluno do seminário, vizinho próximo da freguesia de Piães, representante da ASEL e residente no Porto, estive presente neste encontro que me deixou encantado e maravilhado com as maravilhas que neste campo também vai ser o futuro.
Ao completar esta reportagem fiquei a discutir comigo e a perguntar-me porquê e para que tantas palavras, quando eu somente queria dizer: continua Seminário de Resende porque estás no caminho certo e parabéns Cinfães porque sabes tão bem receber, absorver e responder.
*Nota: Apontamento da autoria do Dr. Adão Sequeira, escrito para a "Voz de Lamego".

Arquivo e museu diocesanos*

«-Não devia nem podia a Associação dos Antigos Alunos do Seminário -(ASEL)- alhear-se deste evento, e sobretudo desta obra de grande alcance para o futuro social, cultural e histórico da diocese de Lamego.
O novo Arquivo e Museu hoje inaugurados, centro aglutinador de toda a história da diocese, ficam instalados no local certo e de qualidade rara; as suas paredes guardam ainda o segredo de tantos alunos e vocações que cresceram na sabedoria e santidade e hoje são leigos empenhados ou notáveis padres da igreja viva espalhados na diocese e no mundo.
Aqui se burilou, durante tantos anos, a qualidade sacerdotal, humana e científica que tanto enobreceu a nossa diocese; e aqui nasceram e desenvolveram projectos que não mais desapareceram da memória citadina e da história diocesana o mais humilde dos quais terá sido o nascimento da Estrela Polar que sonhado em 1905,concretizado em 1951 não mais desapareceu nem deixou de pertencer aos segredos destes corredores, hoje transformados em museu vivo de coisas que nunca deixaram nem vão deixar de existir e viver.
Fica com esta obra garantida o futuro histórico do passado realizado.
Como todas as grandes decisões e obras de grande dimensão haverá aplausos e discordâncias, uns e outros salutares à dinâmica da vida e das instituições.
A 1ª grande obra que obteve a unanimidade e concordância absoluta da comunidade ainda se não fez e (utopicamente) vai realizar-se somente quando os homens forem perfeitos ou quando a perfeição for comandada por um só homem que centralize a perfeição de todos numa só vontade.
A singeleza da nossa oferta - (da oferta da ASEL)- é o símbolo da nossa vontade e o indicativo da nossa presença ao lado de quem está, vai à frente e tem aos seus ombros o peso e a responsabilidade do presente expresso nos actos do passado e a garantir a eficiência do futuro.
Sou leigo e desconhecedor, mas sei que a diocese de Lamego tem o melhor arquivo diocesano a nível nacional. Deverá ser uma honra e uma glória para Lamego. Urge mantê-la, guardá-la, aperfeiçoá-la, para bem dos povos, da Igreja e da História.
A ASEL ao associar-se a este evento com a singela oferta através do cheque de valor simbólico que agora ofereço, tem a esperança e a certeza que este novo espaço e o destino que lhe foi votado é um centro agregador de toda a documentação diocesana, garantindo assim para a história que tudo se guarda e conserva no local devido, mantendo deste modo também os factos da história na história dos factos.
Sem interesse, mas com valor ou sem valor mas com interesse, em nome da ASEL, documentalmente deixo ao museu uma cópia completa do Jornal Estrela Polar, bem como um exemplar em capa especial da Antologia desse mesmo jornal.
Este pequeno envelope, Snr. D. Jacinto, é portador de muita alma e pouco dinheiro e mesmo que me diga que almas já tem muitas e dinheiro continua com pouco, esta é porém a dura realidade e a pura verdade à qual certamente só a muita oração dos mais santos poderá dar a volta.
Snr. D. Jacinto, envolvidos na crise que a todos avassala e descapitalizados pela nossa incapacidade de gerar fundos, é esta e nesta data a presença e oferta possíveis da Direcção da ASEL, sempre irmanada nas grandes causas do apostolado diocesano e no palpitar vivo dos nossos seminários em cujos bancos recebemos o gosto forte pelo saber humano e o paladar espiritual do sabor divino.»
*Nota: Apontamento de autoria do Dr. Adão Sequeira, escrito originariamente para a "Voz de Lamego"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Carlos Coelho/Autor de letras e produtor musical de festivais da canção

Meio familiar e escolar

Filho de Manuel Coelho e de Maria Elisa Ferreira, nasceu em 1981 na vila de Resende, integrando uma família numerosa. Tem mais dois irmãos e três irmãs, uma delas sua irmã gémea. O pai, conhecido por Sr. Coelho, reformado da Câmara Municipal, é uma figura popular, sobretudo nos meios ligados ao Grupo Desportivo local. A mãe é funcionária no Externato D. Afonso Henriques. À excepção de um irmão, oficial de justiça do Tribunal de Baião, que vive em Resende, os restantes quatro (dois médicos, uma enfermeira e uma jornalista) vivem actualmente no Porto.

Guarda óptimas recordações da meninice e adolescência. Enquanto os pais trabalhavam, ficava em casa dos avós paternos. O avô era detentor de uma pedagogia especial no tocante ao acompanhamento dos trabalhos escolares, o que lhe permitiu consolidar bem as aprendizagens do 1.º ciclo. Só guarda uma mágoa dos primeiros anos da escolaridade: a pouca importância dada ao desenho, de que tanto gostava.

Frequentou a então chamada Escola Preparatória, onde fez o 5.º e 6.º ano, mudando-se a seguir para o Externato, onde frequentou o 3.º ciclo e o ensino secundário. Em todas as turmas ao longo da escolaridade, teve sempre por colega a sua irmã gémea.

Embora muito bom aluno em todas as disciplinas, nunca foi considerado um “marrão”. Sempre fez questão em participar, desde o 5.º ano, em jogos florais, saraus, festas de escola, concursos e outras iniciativas lúdicas e culturais. Pintava cartazes, fazia cenários, escolhia poemas e músicas e até escrevia peças de teatro. Gostava de inventar jogos. Contudo, a representação em palco nunca foi o seu forte, preferindo escolher os colegas certos para o efeito.


Prémios escolares

Além dos estudos que não descurava, sempre cultivou um interesse especial pelo desenho, fotografia, escrita e música, embora reconheça não ter dotes vocais. A participação em concursos nacionais valeu-lhe ter ganho vários primeiros lugares. Assim, aos 13 anos, consegue arrebatar o 1.º prémio num concurso de banda desenhada, aos 14 anos, vence um concurso literário em língua inglesa e, aos 16 anos, fica em primeiro lugar num concurso de fotografia para jovens.

Hesitações e opção por psicologia

Como tinha boas notas a todas as disciplinas, a escolha do curso superior tornou-se difícil. Como possibilidades, foi colocando arquitectura, psicologia, biologia e física. A inscrição em arquitectura na Universidade do Porto exigia a disciplina de geometria descritiva, que não integrava a oferta disponibilizada pelo Externato na área de estudos científico-naturais. Por isso, na falta de certezas, e para não perder oportunidades, fez esta disciplina de forma autodidacta no 12.º ano. No fim desse ano, talvez para justificar o esforço dispendido, candidatou-se ao curso de arquitectura, tendo feito o 1.º ano. Após esta experiência, devido à natureza muito solitária da profissão de arquitecto (não se imaginava uma vida inteira num gabinete a fazer projectos), resolveu abraçar o curso de psicologia, cuja opção também sempre o acompanhou. Em 2005, termina o respectivo curso na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. O estágio curricular e profissional na Junta de Freguesia de Baguim do Monte (Gondomar) permitiu-lhe a articulação de saberes e o contacto com problemas sociais, tendo a sua intervenção passado por problemas de aprendizagem e de comportamento de crianças, abandono escolar e educação familiar. Esta experiência foi decisiva na opção profissional pela intervenção nesta área sob a perspectiva clínica, tendo para isso aberto um gabinete de psicologia no Porto há cerca de um ano.

Cursos de língua gestual e psicologia do amor

Sempre a fervilhar de ideias, dedica também algum do seu tempo a organizar cursos que respondam às necessidades das pessoas, dotando-as de determinadas ferramentas, como a aprendizagem da língua gestual, ou às exigências culturais de alguns estratos profissionais e sociais da população, através da oferta do aprofundamento de temas como psicofarmacologia, psicologia da timidez, psicologia do dinheiro, psicologia do amor, psicologia da religião, psicologia da morte…O seu objectivo é pegar em muitos dos assuntos de “café”, muito apelativos, mas debatidos na base de evidências, lugares comuns e palpites, apresentando-os sob a perspectiva do registo e do discurso científico.

Autor de letras e produtor musical para festivais da canção

O seu gosto por festivas da canção vem de longe. A capacidade para a escrita foi desde os primeiros anos de escola um dado adquirido. Foi, por isso, alimentando o sonho de escrever poemas para canções. Ainda estudante de psicologia, em 2004, achou que era tempo de concretizar esta ideia. Foi compondo canções para as quais ia concebendo a respectiva música que cantarolava para amigos, que procuravam fazer a respectiva tradução e composição no plano musical. Nesse mesmo ano, procurou concorrer ao Festival RTP da Canção, mas o prazo tinha terminado. Como na Lituânia as candidaturas ainda estavam abertas, apresentou uma canção em inglês, tendo ganho o Prémio do Olympic Casino de Vilnius para a melhor canção.

A partir daí, nunca mais parou, escrevendo e traduzindo canções em inglês, castelhano, francês e português. Ainda em 2004, é convidado pela banda letã Fomins & Kleins para escrever a versão portuguesa da sua canção “Dziesma par laimi”, que seria a representante da Letónia no Festival da Eurovisão desse ano. Em 2005, volta a participar como autor e produtor no Festival da Canção da Lituânia, ganhando o Prémio da Rádio Nacional deste país para a melhor canção a concurso. Em 2006, começa a trabalhar com Andrej Babic (compositor croata que já viu 3 temas seus no Festival da Eurovisão) e a produzir para vários intérpretes de vários países. Em 2007, produz e assina com Andrej Babic o tema que ficaria em 2.º lugar na selecção da canção de Andorra para a Eurovisão. Ainda em 2007, faz parte da equipa que produziu a canção da Eslovénia na Eurovisão, assinando também a versão castelhana da canção. Além das parcerias mencionadas, já trabalhou com mais artistas desses e de outros países, como a Finlândia, Moldávia e Itália.

Convite da RTP e percurso para o êxito

Sabedor das regras do jogo, isto é, que as dez canções a concurso ao Festival da Canção decorriam mediante convite, apresentou previamente o seu currículo à RTP. Insistindo e realçando os seus pergaminhos junto da equipa responsável, o convite chegou. Depois foi o que se sabe. Com a canção “Senhora do Mar”, com música de Andrej Babic e interpretação de Vânia Fernandes, vence de forma confortável a 44.ª edição do certame de entre um conjunto de dez canções, através do processo de tele-voto. Em Belgrado, ficou em 2.º lugar na 2.ª semi-final (em concurso estavam 43 países) e na final, na qual Portugal estivera pela última vez em 2003, ficou em 13.º lugar no conjunto de 25 países. Foi a canção favorita da imprensa, tendo obtido o 1.º lugar na votação dos cerca de 3.000 jornalistas presentes. Venceu, pois, uma canção com um tema estruturalmente português e lastro de evocação épica, que evoca o mar, a saudade e o fado.

Perguntas e Respostas

Foi objecto de alguma homenagem em Resende?

Recentemente, a Câmara Municipal aprovou por unanimidade um voto de louvor pelos sucessos alcançados por este nosso conterrâneo.

Que se entende por produtor musical?

No caso vertente do Festival da Canção, é o responsável pela apresentação da letra e música (inéditas) e pela escolha do respectivo intérprete. Carlos Coelho indicou também o tipo e cor do vestido de Vânia Fernandes ( vestido preto evocando o fado e com brincos em filigrana em estilo bem português) e a roupa dos elementos do coro (vestes brancas a fazer lembrar a bruma e espuma das ondas do mar) e outros adereços, fazendo questão de a canção integrar instrumentos e sons portugueses. No fundo, o produtor funciona como o arquitecto do espectáculo.

Qual é o projecto/sonho de Carlos Coelho?

Sem prejuízo da dedicação à psicologia (que pretende repartir com um outro colega), pretende abrir uma casa criativa de canções, oferecendo “fatos por medida” aos clientes. Serão disponibilizados aos cantores as letras e músicas que mais se adaptem aos respectivos estilos, responsabilizando-se também pela produção de CD’s, espectáculos e gestão de carreiras.

Contacto:

Telefone: 222 012 572 (Centro de Psicologia do Norte)

E-mail: carlos_alberto_coelho@hotmail.com

Nota: Este apontamento, de minha autoria, foi escrito para o Jornal de Resende (Julho de 2008)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

ESCOLA SECUNDÁRIA/3.º CICLO DE RESENDE*

Através de uma aposta forte nos cursos e ofertas formativas das Novas Oportunidades, a Escola Secundária com 3.º Ciclo D. Egas Moniz está a contribuir para uma profunda alteração do panorama dos baixos níveis de escolaridade e de qualificação profissional da população do concelho. Estas opções formativas respondem também às necessidades dos alunos que não queiram prosseguir estudos superiores, constituindo simultaneamente o melhor antídoto no combate ao insucesso e abandono escolar.

Introdução
A Escola Secundária de Resende foi criada oficialmente em 31 de Dezembro de 1986 através da Portaria n.º 791/86, tendo sido inaugurada em 7 de Outubro de 1987 e entrado em funcionamento em 13 de Outubro do mesmo ano. Arrancou com 444 alunos do 7.º ao 10.º ano.
Por sugestão conjunta da Câmara Municipal e da Escola, que mereceu a concordância do Ministério da Educação, por despacho de 15 de Outubro de 1991, foi designado seu patrono D. Egas Moniz. É uma homenagem ao aio de D. Afonso Henriques, com raízes familiares na nossa região e dono de um vastíssimo património, incluindo a Quinta do Paço, onde se encontra situada a Escola e onde teve um dos seus palácios.

Breve caracterização da população escolar
É frequentada actualmente por 634 alunos, provenientes fundamentalmente do concelho de Resende e de algumas freguesias confinantes, pertencentes aos concelhos de Cinfães e Baião. Integra alunos oriundos de famílias dos diferentes estratos sociais, com predominância da classe média-baixa. A elevada percentagem (67,92%) de alunos apoiada pela acção social escolar expressa esta realidade. Outro índice diz respeito aos baixos níveis de escolaridade dos pais/encarregados de educação, pois a maioria tem apenas a 4.ª classe ou o 6.º ano (45% e 30%, respectivamente), havendo somente 15% com o 9.º ano, 8% com o 12.º ano e 2% com um curso superior.
A grande maioria dos alunos não dispõe de livros não escolares, enciclopédias, revistas e jornais em casa, nem tem acesso às novas tecnologias, sendo a Escola o espaço para a respectiva consulta e a Resende Digital, sob a orientação e gestão da Câmara Municipal.
Estas situações reflectem-se no percurso escolar dos alunos, embora as taxas de retenção tenham vindo a diminuir.
Os casos de diversidade cultural e étnica são pontuais. Acolhe também alguns alunos que nasceram ou residiram no estrangeiro, filhos de emigrantes, que se têm integrado razoavelmente bem na Escola.

Dinâmica da Escola
Funciona das o8h30 às 24h00. Dispõe de 85 professores, sendo 50 do quadro (58,82%) e 35 contratados (41,18%), incluindo 4 formadores externos. Um número considerável tem residência fora de Resende, de onde e para onde se desloca diariamente.
O Conselho Executivo privilegia o modelo de gestão de recursos humanos baseado no equilíbrio de consensos, auscultando a opinião dos docentes e as suas preferências, nomeadamente em matéria de continuidade de turmas e/ou disciplinas e desempenho de cargos, o que tem produzido bons resultados.
No âmbito da Escola a tempo inteiro, está a resultar o objectivo proposto para o presente ano lectivo, em que se pretende que o número de aulas previstas seja igual ao número de aulas dadas pelos professores e recebidas pelos alunos. Para isso, aos docentes é-lhes proposto que optem, em caso de falta, prioritariamente, pela permuta e reposição da(s) aula(s) e, só em última instância, pela justificação de falta ao abrigo dos normativos legais. É dada especial importância ao trabalho de articulação, pelo que está prevista uma tarde por semana sem aulas para que os elementos das estruturas de orientação educativa possam reunir.
O pessoal não docente integra 34 funcionários, sendo de assinalar a sua dedicação e assiduidade, o que tem permitido a concretização atempada das várias tarefas administrativas, a manutenção cuidada de espaços verdes, a limpeza interior e exterior, o apoio a festas de convívio, etc.
São desenvolvidas actividades e eventos geradores de um bom clima entre toda a comunidade educativa, tais como: festa de finalistas, dia do teatro e das artes, festa de Natal, miss e mister Egas, dia do estudante, sarau gímnico, programa de acolhimento aos novos professores e recepção aos alunos do 7.º ano.
Tendo em vista a melhoria das várias estruturas da Escola, encontra-se institucionalizado, desde o ano lectivo de 2006/07, um sistema de monitorização, concretizado através de um processo de auto-avaliação com recurso a inquéritos aos vários elementos da comunidade educativa.

Novos Cursos/Novas Oportunidades
Além do ensino regular no 3.º ciclo e no ensino secundário (curso de ciências e tecnologias), a Escola Secundária/3.º Ciclo oferece novos cursos e alternativas vocacionados para a entrada no mundo do trabalho. Assim, no ensino secundário tem em funcionamento dois cursos profissionais (de técnico de turismo e de técnico de termalismo), sendo frequentados por 59 alunos. Também, no âmbito das Novas Oportunidades, a Escola tem em funcionamento quatro turmas de cursos de educação e formação (Cursos CEF), que conferirão aos respectivos alunos o 9.º ano e uma qualificação profissional (na área de electricidade de instalações e na área de jardins e espaços verdes, respectivamente). Oferece também um curso do programa de integração de educação e formação (Curso PIEF) para 14 alunos, com o objectivo de lhes conferir o 9.º ano. Por fim, destinados a maiores de 18 anos, disponibiliza cursos de educação e formação de adultos (EFA), em regime pós-laboral, tendo em funcionamento uma turma do 3.º ciclo e duas do ensino secundário.
No presente ano lectivo, encontram-se a frequentar no conjunto dos Novos Cursos/ Novas Oportunidades (Cursos Profissionais, CEF, PIEF e EFA) 189 alunos, o que representa 29,81 % da população escolar. Estes alunos em formação encontrar-se-ão aptos a integrar o mercado de trabalho no fim dos respectivos cursos. Devido à aposta nas Novas Oportunidades, o número de turmas aumentou, relativamente ao ano passado, de 25 para 32.

Novas Oportunidades de qualificação para quem trabalha
A Escola celebrou um protocolo de parceria com o Centro de Novas Oportunidades, sedeado no Agrupamento de Escolas de Moimenta da Beira, possibilitando a quem tenha mais de 18 anos a obtenção do 9.º ano, do 12.º ano ou de uma qualificação profissional. Dependendo das situações, os candidatos são encaminhados para a realização de um processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), para um Curso de Educação e Formação de Adultos (Cursos EFA) ou para outro percurso educativo e formativo que se revele mais adequado. Neste momento, há mais de 190 inscritos que desejam valorizar-se, aumentando as suas habilitações académicas e as suas qualificações profissionais. Para quem trabalha ou trabalhou serão tidos em conta os ganhos e mais-valias adquiridos ao longo da vida. Caso sejam diagnosticadas necessidades de formação no processo de reconhecimento de competências, os interessados serão encaminhados para uma formação complementar. Por sua vez, caso o adulto, em fase de informação inicial, não evidencie as condições necessárias ao desenvolvimento de um processo RVCC, será reencaminhado para uma oferta educativa e formativa adequada às suas necessidades e condições específicas.
Está, pois, em curso um processo de transformação qualitativa e de valorização substancial dos recursos humanos do concelho.

Nota: Este apontamento baseou-se na legislação e normativos relativos às Novas Oportunidades, em documentação cedida pelo Dr. José Dias Gabriel e na recolha de informações junto do mesmo, a quem agradeço a disponibilidade para o efeito.

Perguntas e Respostas

Quem é o Presidente Conselho Executivo?
É o Prof. José Dias Gabriel, que se encontra à frente dos destinos da Escola desde a sua abertura, perfazendo 20 anos em Outubro próximo. Transitou da então Escola Preparatória, onde também incluiu o respectivo órgão de gestão.
É também o actual Provedor da Santa Casa da Misericórdia. De entre os projectos de que foi responsável ou dinamizador, é de destacar o seu contributo na formação e direcção artística do Rancho de Anreade.

Qual a ligação da Escola à Comunidade?
Para além da articulação com os encarregados de educação, da participação em projectos nacionais e da cooperação com a Câmara Municipal, a Escola, por força dos Novos Cursos/Novas Oportunidades, tem protocolos negociados ou em vias de negociação com 13 instituições, serviços e empresas, sem contar com as de construção civil e instalações eléctricas.

O que distingue os Cursos Profissionais?
São um dos percursos do nível secundário, em que a aprendizagem realizada nestes cursos valoriza o desenvolvimento de competências para o exercício de uma profissão, em articulação com o sector empresarial local.

O que pretendem os Cursos de Educação e Formação (CEF)?
Pretendem proporcionar aos jovens a partir dos 15 anos um conjunto de ofertas diferenciadas que permitam o cumprimento da escolaridade obrigatória e a obtenção de qualificações profissionais devidamente certificadas.

Qual o objectivo do Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF)?
Tem como objectivo favorecer o cumprimento da escolaridade obrigatória a menores e conferir a certificação escolar e profissional de menores a partir de 15 anos, em situação de exploração de trabalho infantil.

O que são Cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA)?
São uma oferta integrada de educação e formação pós-laboral, para públicos adultos, com idade igual ou superior a 18 anos, que possuam baixos níveis de escolaridade e de qualificação profissional, proporcionando dupla certificação (escolar e profissional).

*Artigo de minha autoria, publicado no Jornal de Resende (Abril de 2008)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

"Conferência Internacional para o diálogo" (Artigo de Anselmo Borges no DN de 26-07-2008)

1. Realizou-se em Madrid, na semana passada, com a presença de muçulmanos, cristãos (o cardeal J.-L. Tauran representou o Vaticano), judeus, budistas, hindus e membros de outras religiões, uma conferência sobre o diálogo inter-religioso. Inédito: a iniciativa partiu do rei da Arábia Saudita, Abdullah bin Abdulaziz Al Saud, guardião dos lugares santos do islão em Meca e Medina, após um encontro, também ele inédito, com Bento XVI no Vaticano.
Na sessão de abertura, o rei Abdullah apelou ao diálogo para fazer frente à “perda de valores” e “confusão de conceitos”, frutos, no seu entender, do “vazio espiritual”. O islão “é a religião da moderação, da ponderação e da tolerância." Para o monarca saudita, a diversidade de religiões há-de ser um meio para a “felicidade” dos humanos, porque se Deus tivesse querido outra coisa, “teria imposto uma só religião à Humanidade.” “As tragédias vividas não foram causadas pelas religiões, mas pelos extremismos adoptados por alguns dos seus seguidores e pelas crenças políticas.”Também o rei de Espanha, Juan Carlos, defendeu o diálogo inter-religioso e intercultural, fazendo votos para que a Conferência contribua para um mundo “mais justo, mais próspero e solidário” e “que acabe com a inaceitável barbárie terrorista, lute contra a fome, a doença e a pobreza, respeite os direitos do ser humano e promova a defesa do meio ambiente.” A Conferência concluiu com uma Declaração, que afirma que “as mensagens divinas rejeitam o extremismo, o fanatismo e o terrorismo” e recomenda que “se promova uma cultura de tolerância e compreensão”. Para isso, convida a Assembleia Geral das Nações Unidas a “impulsionar o diálogo entre os seguidores de todas as religiões, civilizações e culturas, organizando uma sessão especial para o diálogo.”
2. Simultaneamente, em La Coruña, promovido pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo, realizou-se um encontro sobre “Cristianismo e Islão em Diálogo”, em que participei. Foram também três dias de reflexão sobre temas fundamentais, tratados por peritos cristãos e muçulmanos: a situação actual do cristianismo e do islão, relação homem-mulher, experiência de Deus, o poder, justiça e solidariedade.Entre os peritos islâmicos, encontrava-se Tariq Ramadan, figura densamente polémica, Professor em Oxford e um dos intelectuais muçulmanos mais influentes no Ocidente.
Convoquei-o para o debate sobre a laicidade. E ele, num discurso ágil, foi declarando que no islão há a autoridade que vem de cima, de Deus – o credo, com os cinco pilares do islão, que se impõem àqueles que quiserem pela fé aceitá-los – e a autoridade da razão, uma racionalidade negociada nos domínios da ciência, da ética, da justiça, uma negociação da humanização. Enquanto houve esta separação assistiu-se a uma efervescência intelectual no mundo islâmico. Hoje, há uma perversão por causa da não separação destas autoridades e poderes. Mas, por outro lado, não se pode esquecer o profundo trauma no mundo islâmico por causa da colonização, de tal modo que, quando se fala em laicidade e secularização, pensa-se em ocidentalização e colonização. E culminou: “Eu próprio estou proibido de entrar na Arábia Saudita e de ir a Meca.” À margem do encontro, Xabier Pikaza, teólogo católico de renome, também disse, referindo-se à intolerância radical da Arábia Saudita, onde os não muçulmanos são considerados “infiéis”, não lhes sendo permitido praticar a sua religião: “Como pode promover fora uma reunião impossível na Arábia? Imaginem que iam à capital da Arábia Saudita milhares de cristãos e judeus e celebravam missas e cultos sagrados segundo as suas tradições e que falavam abertamente com as pessoas da rua, pedindo sinagogas e igrejas, e que perguntavam pelas lapidações e pela situação das mulheres e pelos assassinatos dos homossexuais...”
3. De todas as formas, o diálogo, mesmo no quadro de uma eventual operação de marketing, é sempre bem-vindo. Mas, como disse David Rosen, membro do Comité Judaico Americano, espera-se que a Conferência de Madrid não seja apenas “uma oportunidade fotográfica.”

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Agrupamento de Escolas de Resende*

Tendo como sede a escola do 2.º ciclo, abarca o Centro Escolar de S. Martinho de Mouros e todos os estabelecimentos da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do concelho. Aproximar rapidamente as taxas de sucesso educativo da média nacional, melhorando as competências em Língua Portuguesa e Matemática dos seus alunos, é o grande objectivo desta comunidade educativa.

Breve resenha histórica
Só a partir de 1963, com o início do funcionamento do Externato D. Afonso Henriques, foi possível a alguns jovens completar em Resende o antigo 5.º ano (actual 9.º ano). Até então, a maioria das crianças frequentava apenas a chamada escola primária, já que só uma minoria endinheirada podia encaminhar os seus filhos para os colégios ou para os liceus da Região. Após o 25 de Abril de 1974, tornou-se efectivo o alargamento a todo o país do 6.º ano de escolaridade. Assim, em 4 de Janeiro de 1977, começou a funcionar o 1.º e 2.º ano do Ciclo Preparatório e o 7.º ano do Curso Unificado, que foi alargado, no ano seguinte, ao 8.º e 9.º ano. Com a entrada em funcionamento, em Outubro de 1987, da Escola Secundária, recebendo alunos do 7.º ao 12.º ano, houve um redistribuição da população escolar, ficando desde então afectos à então Escola Preparatória o 5.º e o 6.º anos.
Com o fim das Direcções e Delegações Escolares, os Jardins de Infância e as Escolas do 1.º Ciclo foram agrupados, ficando abrangidos pelas normas de organização e gestão escolar dos restantes estabelecimentos de ensino. Assim, em 2002/03, entrou em funcionamento o Agrupamento Vertical de Escolas de Resende, com sede na escola do 2.º ciclo, englobando todos os Jardins de Infância e Escolas do 1.º Ciclo do Concelho.

O Agrupamento em números
A educação pré-escolar funciona em 10 estabelecimentos, encontrando-se matriculadas nos mesmos 231 crianças. A vertente pré-escolar do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros é frequentada por 75 crianças, divididas por 5 salas, tendo sido extintos os Jardins de Infância das quatro freguesias orientais do Concelho. Os dois Jardins de Infância da Vila, com 25 crianças cada um, são os que apresentam maior número de inscrições. No fim da tabela aparece o de S. Romão com apenas 10 crianças.
O 1.º Ciclo tem assistido a uma diminuição progressiva do número de crianças. Assim, no ano lectivo de 2005/06 havia 624 alunos neste nível de ensino, diminuindo para 613 em 2006/07 e para 581 no presente ano lectivo. Nos últimos anos e com a entrada em funcionamento do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros, ocorreu uma grande reestruturação da rede escolar, passando de 30 escolas, em 2004/05, para 15, em 2007/08. A vertente do 1.º Ciclo deste Centro Escolar tem inscritos 165 alunos. A Escola do 1.º Ciclo mais frequentada é a da Vila, com 151 alunos, por contraste com a de Aregos, onde apenas estão inscritos 5 alunos.
Também a população escolar do 2.º ciclo tem vindo a diminuir, pois, em 2004/05, havia 340, enquanto, no presente ano lectivo, estão inscritos 317 alunos.
Para o conjunto da população (1.129 crianças/adolescentes) o Agrupamento disponibiliza 106 docentes, assim distribuídos: 14 para a educação pré-escolar, 50 para o 1.º ciclo, 39 para o 2.º ciclo e 3 para a educação especial.

Alguns dados relevantes
A maioria da população residente é analfabeta ou só tem o 1.º ciclo (69%), de acordo com os dados do censo de 2001, e o poder de compra no concelho é cerca de metade da média nacional, havendo ainda muitas famílias que vivem em regime de subsistência. Esta situação é patente na percentagem dos alunos subsidiados a nível dos apoios sócio-educativos, atingindo 75% no 1.º ciclo e 79% no 2.º ciclo, situando-se a esmagadora maioria no escalão A, isto é, o rendimento per capita destes agregados familiares, de acordo com os critérios do Ministério da Educação, é de €172, 63.
Apesar dos dados sócio-familiares serem desfavoráveis, tem havido uma melhoria progressiva no que toca ao combate do insucesso escolar. Assim, reportando-nos ao ano lectivo de 2003/04, a taxa de insucesso no 1.º ciclo foi no Agrupamento de Resende de 11,6%, enquanto a nível nacional, foi de 6,7%. Por sua vez, em 2006/07, no nosso concelho, a taxa de insucesso foi de 7,2%, enquanto, a nível nacional, se situou em 3,9%. Outra boa notícia diz respeito às provas de aferição do 1.º ciclo, cujos resultados, em 2006/07, se situaram num nível próximo da média nacional, embora com disparidades entre as várias escolas.
Relativamente ao 2.º ciclo, a taxa de insucesso (somatório da retenção e abandono) situa-se dentro da média nacional, havendo, contudo, um diferencial em desfavor da escola do 2.º ciclo de Resende no que toca aos resultados das provas de aferição nas disciplinas de Língua Portuguesa e de Matemática.

Aposta na inovação
O projecto educativo para o triénio 2007/2010 apresenta como primeiro e grande objectivo aumentar o sucesso escolar dos alunos, aproximando os resultados do 1.º ciclo da média nacional, incluindo os resultados das provas de aferição da Língua Portuguesa e da Matemática, e manter a taxa de sucesso do 2.º ciclo na média nacional, desenvolvendo um esforço para a convergência dos resultados das provas de aferição.
Para levar a bom porto este desiderato, dar-se-á continuidade à “política educativa” do actual Conselho Executivo no que se refere à utilização de novas tecnologias na gestão pedagógica e administrativa das escolas do Agrupamento e no processo de ensino aprendizagem.
Desde há três anos que a escola sede (do 2.º ciclo) adoptou o sistema GIAE (Gestão Integrada de Administração Escolar), o que permite a automatização, entre outras funções, do controle de acessos e pagamentos através de cartão multiusos, postos de venda para bufete, papelaria, etc., venda de senhas, controle de assiduidade de pessoal docente e não docente e elaboração de sumários electrónicos. É intenção do actual Conselho Executivo disponibilizar a toda a comunidade educativa, incluindo encarregados de educação, através de uma password individual, informações úteis como a assiduidade, saldos, convocatórias, etc.
Nos últimos anos, houve também uma aposta forte nos “Kit Sala de Aula” (computador, projector e quadro interactivo). Através de adesão a programas vários e a uma gestão rigorosa, a escola do 2.º ciclo tem presentemente instalado 18 quadros interactivos, potenciando pela sua versatilidade uma verdadeira revolução no suporte didáctico das várias disciplinas. Refira-se que todas as salas do 1.º ciclo do Centro Escolar de S. Martinho de Mouros têm disponíveis estes equipamentos.
Quem visitar a escola do 2.º ciclo apercebe-se da opção pela via irreversível das novas tecnologias, pois depara-se com 15 computadores na sala de informática, 2 na biblioteca e 3 na sala de docentes, todos com ligação à Internet. Disponíveis para toda a comunidade escolar existem ainda 14 portáteis.
Todos os jardins de infância e escolas do Agrupamento têm ao seu dispor a plataforma digital moodle, onde todos poderão aceder a legislação, documentação, notícias e jornal da escola, partilhar materiais e experiências, responder a inquéritos, inscrever sumários, participar em fóruns, receber e dar formação, etc.
A fim de sustentar, rentabilizar e dar consistência a esta opção pelas novas tecnologias de informação, existe uma equipa TIC para garantir o apoio a todos os utilizadores e outras possibilidades de formação.

Nota: Este apontamento baseou-se no Projecto Educativo do Agrupamento e na recolha de informações junto do Eng. Manuel Tuna a quem agradeço a disponibilidade demonstrada para o efeito

Perguntas e Respostas.

Por quem é constituído o Conselho Executivo?
Por Manuel Luís da Silva Pereira Tuna, que preside desde 2002/03, tendo já integrado anteriores conselhos executivos durante 7 anos, e por três vice-presidentes: Fátima Maria Rocha Soares, Ana Maria da Conceição Sequeira Magalhães e Excelso Carlos dos Santos Ferreira. Tem também uma assessora, Maria Isabel Pires Costa Moreira, que é também a representante do Ministério da Educação junto da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Resende.

Qual a participação dos pais na vida da escola?
Na maioria dos casos, a sua participação limita-se a tomar conhecimento da situação escolar dos seus filhos/educandos e a assistir a actividades em que os mesmos participam. Os actuais responsáveis desejam envolver mais activamente os pais na vida da escola, apostando, para isso, na melhoria e no aumento dos circuitos de comunicação, através do recurso aos meios tradicionais e das novas tecnologias (correio electrónico, serviço de mensagens por telemóvel, plataforma moodle, programa GIAE/gestão integrada de administração escolar…), e estando nos seus projectos a promoção de uma escola de pais. O actual conselho executivo está empenhado na revitalização da associação de pais, com núcleos em S. Martinho de Mouros, escola-sede e conjunto dos restantes estabelecimentos do concelho, tendo para isso dinamizado várias reuniões no início deste mês.

Irão ser tomadas iniciativas para a promoção da leitura entre os alunos?
Sim. Tendo em conta o baixo nível sócio-cultural de uma grande percentagem da população, uma das grandes preocupações deste Conselho Executivo é a aproximação dos alunos aos livros como instrumento de aprendizagem e de desenvolvimento cultural. Complementando o trabalho e as actividades da Biblioteca Municipal e a sua dinamização no campo da leitura, o Agrupamento ambiciona o aumento em 15% ao ano do número de livros requisitados nas bibliotecas, tendo como referência o ano de 2007/08.

*Artigo de minha autoria, publicado no Jornal de Resende (Março de 2008)

domingo, 29 de junho de 2008

Anselmo Borges conversa com "O Diabo"

De que forma avalia a crise social que está a afectar Portugal?
É uma situação muito grave. Ela já existia – não se pode esquecer que Portugal é o país da União Europeia em que o fosso entre ricos e pobres é mais fundo. Agora a crise acentuou-se com o aumento do crude e dos outros bens, nomeadamente, alimentares. Pode vir aí uma conflitualidade social séria.

Está preocupado?
É evidente que sim. Só quem andasse completamente desatento ou seja sadomasoquista é que se não preocuparia. Há em Portugal dois milhões de pobres e há pessoas com fome. É uma vergonha nacional.

O Governo está a ser capaz de dar respostas aos problemas da área social que estão a afectar os portugueses?

Queria dizer-lhe que a situação é complexíssima, porque a crise é nacional, europeia e global. Portanto, o Governo também está limitado, por causa de toda esta interdependência da economia e da finança. Por exemplo, o próprio Presidente da República já chamou a atenção para o escândalo dos salários de certos gestores. Mas não podemos esquecer que também os gestores hoje fazem parte do mercado global e isso limita o poder do Governo. Impostos sobre as fortunas seria outra medida necessária. Mas já Marx dizia o que hoje se tornou mais evidente: o capital não tem pátria...
As respostas do Executivo têm sido muito parciais. É necessária mais justiça social e espero que o Governo pense bem nas obras faraónicas que aí vêm e que, pelo menos, evite a todo o custo as famosas derrapagens orçamentais.

Que conselhos deixa ao Governo?

Não tenho competência para isso. Mas sempre lhe digo que um dos dramas de Portugal é a falta de formação e qualificação. Na devida altura, não se tomaram medidas de fundo nesse sentido. Então, que o Governo aposte na formação e qualificação. Mas numa formação e qualificação a sério e não para simples estatísticas, o que está a constituir mais uma intrujice nacional.

Que resposta tem a Igreja para dar às populações mais carenciadas?

Penso que a Igreja vai fazendo o que pode, tanto a nível institucional, nas paróquias, nas instituições particulares de solidariedade social, como individualmente. Há muitos cristãos que, generosamente e sem dar nas vistas, contribuem para aliviar as necessidades dos mais carenciados.
Penso, por outro lado, que a Igreja poderia e deveria ajudar também a reflectir sobre o sentido do dinheiro. Quero com isto dizer que frequentemente os portugueses perderam o sentido da moderação no uso dos bens. Julgo, por exemplo, que não é razoável ir de férias a crédito, como ainda hoje vi em publicidade nos jornais.

Na sua opinião, as instituições da Igreja católica, com a ajuda prestada, estarão muitas vezes a substituir funções e apoio que deveriam caber ao Estado?
A Igreja deve denunciar as injustiças e propor caminhos de justiça. Mas cabe-lhe também, mesmo que seja em substituição, ajudar os mais carenciados. Neste caso, fazendo a Igreja muitas vezes melhor e mais barato do que o Estado, não percebo porque é que o Estado não há-de apoiar financeiramente.

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